
Venha se surpreender com a história de cada um e da garra desse grupo que percorre o Brasil
com a bandeira da Literatura Nacional em suas mãos.
Então pegue seu cafézinho e venha prestigiar conosco.
Quando e como descobriu a sua paixão em escrever?
“Se não existissem os livros eu não teria nascido neste planeta”. Esta talvez seja a frase que meus pais e meus amigos mais me ouviram dizer. Desde pequeno sou apaixonado pelas palavras, páginas, capas e até pelo cheiro dos livros. Nas noites mal dormidas eu costumava ir até a cozinha, encher um copo de suco de laranja e rubricar palavras, frases e pensamentos em um caderno velho, surrado, mas que eu gostava muito. Na época, eu deveria ter por volta de 16 anos. O mais divertido é olhar pra lá e ver o quanto não dormir me fez um cara feliz (risos). Quando minhas ações, sonhos e aspirações me levaram para a literatura, eu simplesmente sabia que tinha encontrado o meu destino. Não me vejo fazendo outra coisa.
Como começou a turnê literária? Da onde veio a ideia e como se sente com
este novo projeto?
A idealizadora do projeto é a autora e amiga, Adriana Brazil. Tudo começou no final de 2011. Na oportunidade, estávamos na premiação do Codex de Ouro. Ela comentou algo sobre formarmos um grupo de autores com o objetivo de somar forças e divulgar nossas histórias. Achei Bem interessante e acabei entrando na Turnê Literária. O projeto tomou proporções bem maiores. Acredito que hoje as nossas histórias se tornaram meios para divulgar a literatura nacional como um todo e mostrar que aqui se faz livros com muita qualidade também.
Como são esses encontros? O que acontece? E como é a recepção do publico?
Os encontros são extremamente divertidos e dinâmicos, tanto na organização quanto no seu desenvolvimento em si. Normalmente fazemos um encontro por mês, em algum canto do Brasil, o que nos fez conhecer lugares e pessoas incríveis. Os leitores, blogueiros, livreiros, amantes da literatura e curiosos, que formam nosso público, são o grande combustível desse movimento e a força para o sucesso do projeto. Não existiriam livros sem leitores, portanto, eles formam a base de todo “iceberg”. Eu costumo sempre dizer assim: “Se estamos fazendo amigos, o caminho só pode ser esse”. E é isso que colecionamos em todos os eventos que já fizemos, amigos.
Fale um pouco sobre o entrosamento do grupo. Já pensaram em escrever algo juntos?
O entrosamento do grupo é o melhor possível. Nada sobrevive se não houver respeito e companheirismo. Mas o nosso relacionamento foi além disso. Somos amigos, nos queremos muito bem e torcemos uns pelos outros. No fundo sabemos que o individualismo não leva ninguém a lugar algum. Gosto muito desse pensamento: “Eu e você somos muito melhores do que só eu ou só você”.
Quanto a escrevermos juntos, estamos pensando na possibilidade. É algo que está nos planos, mas ainda não foi para o papel.
O que você acha da literatura nacional atualmente?
Está em constante crescimento. Não me lembro de um movimento parecido, com tantos eventos literários, tantos blogs querendo entrevistar e resenhar livros de autores nacionais. Acho que despertamos! Talvez essa seja a palavra para definir o nosso momento atual.
Sabemos que os brasileiros ainda preferem a literatura estrangeira.
Em sua opinião, por que há tanto preconceito com a literatura nacional?
Eu costumo ver as coisas por um prisma positivo. Não queremos lutar contra a literatura estrangeira, tampouco substituí-la. Queremos apenas fazer nossa literatura, mostrar nosso valor e agregar. Queremos fazer parte da possibilidade de escolha dos leitores. Esse movimento aconteceu há alguns anos com o cinema nacional e os nossos filmes não foram mais colocados em dúvida. Eles alcançaram seu espaço e seu valor. Acredito que nossa literatura está trilhando esse mesmo caminho.
Fale um pouco sobre você e seu livro.
Escrever para mim é como uma oração, um alimento. Passou a ser uma necessidade vital, tal como respirar. Eu busco inspiração em tudo o que está ao meu redor. Não vejo meios de ser diferente já que nosso mundo é repleto de beleza e mergulhado em segredos, crenças e inúmeros mistérios. E quando amamos o que fazemos, algo que não conseguimos mensurar e nem explicar parece chuviscar em nossas mãos ferramentas como “intuição, criação e determinação”. Nós só temos o trabalho de colocar tudo isso em prática. Falando especificamente desses dois últimos livros, 2012 – O Menino que previu o Apocalipse e 2012 – O Segredo do Monte Negev (Novo Século Editora), além da inspiração para criar os personagens e os conflitos dos dois romances, muito estudo foi necessário, o que só tornou os projetos ainda mais emocionantes. Sou um apaixonado por Nostradamus desde os meus 17 anos de idade. Estudei sua vida, seus feitos e a maioria de suas profecias, o que me levou a conhecer outros povos e a estuda-los também. Conheci um pouco sobre a vida dos Maias, dos Egípcios, Índios Holpi, Essênios, Hindus e tantos outros. Na verdade, as duas histórias vieram ao meu encontro e os dois romances acabaram nascendo naturalmente.
O primeiro livro, 2012 – O Menino que previu o Apocalipse começou a ser escrito no início de 2009. Entre os rascunhos, o desenvolvimento da narrativa e a viagem ao Egito e Roma para concluir meus estudos e contar com mais veracidade o dia a dia dos personagens, levando em conta os costumes e a cultura de seus povos, foram nove meses. Enquanto o primeiro romance estava em processo de avaliação, eu iniciei o segundo livro, 2012 – O Segredo do Monte Negev. Essa
sequência teve o mesmo método de criação. Eu estive em Israel e da mesma maneira que fiz no primeiro romance, visitei todos os locais presentes no texto. Foram mais oito meses até escrever a última frase e concluí-lo.
Deixe uma mensagem para aqueles que estão em busca de seus sonhos como escritores.
Não tenham medo de se arriscar, de correr atrás de seus sonhos, tampouco de fazer o que mais amam. Sempre haverá um tesouro escondido, nos aguardando, exatamente aí.
Grande abraço!
Facebook: Ricardo Valverde
Um comentário:
Essa semana fui na Nobel, chegando lá observei que os livros nas pequenas montanhas de chamar atenção entre a livraria, eram de autores estrangeiros.
Perguntei onde estava a literatura nacional, a moça disse: está ali.
Lá estava numa discreta estante da livraria.
Isso me incomoda, saber que tem tanta coisa boa sendo escrita, tantos autores bons brasileiros, escondidos dos olhos dos leitores.
É uma pena!
Adorei a entrevista!
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