
Não sabia se o que
aconteceu foi uma queda de energia ou algum problema no sistema, mas o conflito
foi logo resolvido e isso inclui a aparente discursão cheia de ironia de uma
moça e um rapaz que estavam aprisionados ao elevador junto a ela.
Quando conseguiu se
livrar deste sufoco saiu sem reparar os companheiros do elevador.
Ao chegar em
casa sua mãe estava a sua espera. Antes de relatar os acontecidos para dona
Isabel, Dora bebeu dois copos de água gelada de uma vez só que até doeu à
garganta, tossiu e sentou-se para conversar com a sua mãe, logo após foi para
seu quarto para tomar um banho.
-E aí? Como foi a
entrevista? – sua irmã Lia perguntou logo que a viu entrando no quarto.
-Foi bem. – disse logo
após um suspiro – Hoje foi um dia daqueles.
Dora e Lia além de irmãs
eram ótimas amigas e a garota gostava muito de se abrir com ela.
-O que aconteceu? – Lia
preocupou-se.
Dora olhou para os lados
como se escondesse alguma coisa.
-Entra aqui no quarto que
eu te conto.
As duas entraram no
quarto e Lia se sentou na cama afastando umas roupas que ali estavam.
-Bom... Vou cuidar da
Carol uma garotinha de 7 anos. Sabe? – disse sentando perto da irmã – Acho que
ela não foi com a minha cara ou não gosta da ideia de ter uma babá. Ela me
olhou de cima embaixo e agiu comigo como se eu fosse a criança. Ai... – fechou
os olhos e olhou pra cima – Espero que ela não seja daquelas meninas
mimadinhas, senão eu não irei aguentar.
- Ok. Desejo-te sorte,
mas acho que não é bem isso que quer me contar. – Lia conhecia a irmã e sabia
que a algo a mais.
Dora coçou a nuca
preocupada.
-É o seguinte, logo que
sai do apartamento da minha “patroa” o elevador que tomei deu uma pane e fiquei
apavorada naquele escuro com os outros que estavam lá. Fiquei com medo que
desse uma queda livre, mas tudo voltou ao normal, acho que só foi uma queda de
energia.
-Nossa. – Preocupou-se a
irmã – Que perigo. Você contou pra mamãe?
-Achei melhor não. Ela
poderia se preocupar muito e não permitir que eu trabalhasse, mas já que está
tudo certo não quero desistir logo agora. Vou procurando outro serviço enquanto
ganho uma graninha neste. Por favor, não conte pra mamãe. – Pediu a irmã.
-Pode deixar. Não quero
ver a dona Isabel com seus chiliques de preocupação.
**
Apavorada Dora a cada
minuto olhava no celular para ver que horas eram. Já havia passado 5 minutos do
horário do sinal do colégio de Carol. Como agora ela era a babá da garota teria
que busca-la todos os dias, porém sábado e domingo não trabalhava.
- Isso não está
acontecendo. – pensou negando – Não no meu primeiro dia.
Inquieta levantava a
cabeça para ver onde estava. O ônibus ia devagar devido ao congestionamento do
transito. A garota pensava no por que daquela geringonça não poderia ir mais
rápida, mas sabia que não era culpa do ônibus. Para sua infelicidade o transito
parou totalmente devido ao um acidente de carro há duas quadras a frente.
Decidida levantou-se do
seu assento e seguiu seu caminho a pé. Correndo torcia para que estivesse tudo
bem com a menina e que ela não conte nada para seus pais, pois isso seria
péssimo para sua reputação.
Conseguiu chegar ao
colégio, entretanto o desespero aumentou. O fluxo de crianças que havia naquele
local deixou Dora desesperada.
Como encontraria Carol no
meio daquilo tudo?
A menina era pequena, magricela, de cabelos
loiros e olhos azuis, não era o tipo diferente, porém não conseguiu encontrar
nenhuma garota de cabelos tão claros como o dela.
Olhou para todos os lados
desesperada até que enfim viu uma garotinha distanciando do colégio que com
certeza seria ela, mas para aumento de seu desespero ela não estava sozinha
havia um rapaz levando-a.
Dora além de chegar atrasada você perde a
menina e um maníaco a estuprador a sequestra. Belo começo. – Ela pensou.
Ainda desnorteada ela não
deixaria barato. Correu aflita entre as pessoas que estavam na rua. Se fosse
acontecer algo de ruim ela pelo menos tentaria intervir. Quando conseguiu se
aproximar o máximo deles ela parou.
-Ei você! – disse
ofegante, porém brava – Aonde pensa que vai com essa garota?
Dora esperava que depois
de tanta braveza o cara largasse a garota e sairia correndo como se fugisse da
policia, pelo contrario, ele se virou e a encarou.
-É melhor largar essa
menina. Acha que uma garotinha satisfaria seus desejos? Olha o seu tamanho. –
Dora estava disposta a falar sem parar – É melhor você sumir da minha frente
antes que eu chame a policia. – Disse confiante.
O rapaz riu da cara dela,
mas logo em seguida parou por ver o semblante da moça fechada.
-É seguinte defensora dos
fracos e oprimidos, essa garotinha é minha vizinha e a irresponsável da babá
dela se esqueceu de que tinha um compromisso. Estou livrando aquele aprendiz do
mal que ela poderia ter causado a Carol. – O rapaz se explicou sério.
Os olhos verdes do rapaz
a fuzilava e aquilo a constrangeu.
-Caio ela é a minha babá.
– Carol esclareceu a situação deixando o rapaz mais revoltado.
-E...eu não sou nenhuma
irresponsável. – falou gaguejando – O ...
- Olha, eu não estou nem
ai para as suas explicações. Eu não posso estar aqui todo dia para aliviar sua
barra. Se for a babá faça seu serviço direito. – disse ele rude. – Até mais
Carol.
Carol deu tchau enquanto
Dora engolia todas as palavras dele. Sentiu-se tão envergonhada e constrangida
que quis chorar, mas ponderou pela presença da menina. Pegou na mão da garota e
seguiu seu curso.
Um comentário:
Pensei que ia ter outro gancho, como que ela não acharia a menina e a situação teria uma solução no capítulo seguinte, o que demonstra uma maneira original, nada convencional de escrever.
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