28 de fevereiro de 2013

Especial Turnê Literária com Lu Piras

Mais uma entrevista do nosso especial chegando!
Agora é a vez da querida Lu Piras que já teve 
duas entrevistas aqui no blog.
Mas hoje ela vem como integrante da Turnê Literária!!!

Então vem com a gente, pegue seu cafézinho
e venha conhecer um pouco mais desse belo trabalho.

Quando e como descobriu a sua paixão em escrever?

Eu sempre gostei de escrever. Quando adolescente, escrevi dois livros não publicados que me dão muito orgulho pelas circunstâncias em que foram escritos. Naquele tempo ainda se usava máquina de escrever e,a ausência de computadores e internet, eu precisei fazer as pesquisas em enciclopédias antigas. Acredito que o entusiasmo surgiu naquela época. Eu lembro que assistia aos filmes e ficava imaginando outros finais, outras histórias para os personagens que gostava e isso era muito motivador. Depois disso, entrei na faculdade de direito e comecei a trabalhar, o que me distanciou da vocação de escrever. Somente em 2009, esse desejo veio novamente à tona, e com toda força. Aproveitando um momento mais introspectivo da minha vida, decidi que era hora de acreditar no meu potencial de contar histórias e levar adiante a ideia de publicar um livro.

Como começou a turnê literária? Da onde veio a ideia e como se sente com este novo projeto?

A turnê começou com a iniciativa de Adriana Brazil que, mirando-se no exemplo de um grupo literário de destaque, teve a iniciativa de reunir autores com o intuito de divulgar e incentivar a leitura. A concepção já havia, mas a Turnê tem uma idealização própria que com o tempo foi se definindo, a de viajar pelo Brasil levando histórias.
Fiquei muito feliz quando recebi o convite da Adriana para integrar esse projeto, pois todos nós, escritores ou não, que de algum modo nos envolvemos com a literatura no Brasil, assumimos o desafio de mudar a realidade difícil de trabalhar e viver dela, de expandir e criar bases sólidas no nosso mercado, de incutir no brasileiro os valores culturais de ler um livro nacional, de promover uma literatura nacional de qualidade. Nosso propósito é comum e eu me identifico com os objetivos do grupo.

Como são esses encontros? O que acontece? E como é a recepção do público?

Os eventos que realizamos normalmente têm lugar em livrarias, pois é o espaço em que o público sente-se envolvido por livros e também onde podemos vender nosso trabalho. Além de palestras sobre literatura, o bate-papo nos permite aos autores interagir com os leitores, descobrir as carências, as sugestões, as críticas, as necessidades, enfim, traçar um perfil deles que nos ajude a identificar possíveis maneiras de desenvolver melhor o nosso trabalho e alcançar um público cada vez maior. Essa troca beneficia ambas as partes, aproximando o autor do leitor e ampliando seus horizontes literários. Normalmente também fazemos sorteios com brindes e livros, o que estimula bastante a participação do público. A reação é sempre a melhor possível. Sempre saímos do evento com a satisfação de não só um dever cumprido, mas de uma realização pessoal. Falar de literatura é dar e receber cultura, arte, paixão. E isso nos deixa plenos.

Fale um pouco sobre o entrosamento do grupo. Já pensaram em escrever algo juntos?

Os membros da Turnê Literária têm objetivos comuns e trabalham pelo mesmo e isso fortalece a missão do grupo e cada um de nós, individualmente, no grupo. Além de escritores, temos outras profissões e nem sempre podemos dedicar-nos tanto quanto a tarefa exige e merece. Muitas vezes a luta é difícil e baqueamos diante das dificuldades. E, quando isso acontece, temos um ao outro, buscamos forças um no outro, damo-nos as mãos. Isso é parceria de verdade. Ainda não pensamos em escrever nada juntos, mas futuramente, quem sabe?

O que você acha da literatura nacional atualmente?

A literatura nacional está se reestruturando neste momento. Há muitos autores novos chegando, um não, diria que há um boom de novos autores (a maioria, iniciantes) que trouxe novo gás e novos desafios para o mercado brasileiro. Portanto, acredito que é tudo novidade, nunca vivemos um momento como esse. Eu acho isso muito positivo e fico otimista com as perspectivas de ampliar esse mercado, de criar uma plataforma que possa incluir os livros nacionais de qualidade não só nas livrarias, mas nas grandes estratégias de marketing das editoras. É preciso vender o nosso produto e vendê-lo bem, sem comparações com a literatura estrangeira, pois o que é genuíno não deve permitir comparações. É nosso e quando valorizamos, ainda mais nosso se torna.

Deixe uma mensagem para aqueles que estão em busca de seus sonhos como escritores.

Quanto mais tentamos profissionalizar o escritor nacional, mais transformamos a nossa literatura no sentido de torná-la também profissional, no sentido de agregar-lhe valores, princípios e técnicas próprias. Esteja ou não começando, o escritor já nasce escritor. Mas quando o escritor sonhador decide tornar-se escritor pra valer, precisa fazer disso uma carreira, acreditar e investir nela seu tempo, seu dinheiro e incluí-la em seus planos a médio e longo prazo. É preciso mais do que escrever e sair enviando os originais para todas as editoras, mais do que divulgar para os amigos e para a família, mais do que tirar fins de semana de descanso para escrever (quando você conseguir isso, já que o seu tempo se tornará escasso com as obrigações da profissão). É preciso doar-se de corpo e alma. Por isso, quem quer ser escritor deve moldar o sonho à realidade e deve ter paciência, assim como ter a consciência de que leva tempo até amadurecer não só a carreira, mas também a si mesmo como profissional. Cultive-se para cultivar leitores. Essa formação você não busca sozinho, busca também em grupos como a Turnê Literária, busca participando e organizando eventos literários.


Fale um pouco sobre você e seu(s) livro(s)

Aproveitando deixe um pequeno trecho do livro para que os leitores apreciarem.
A Lu é uma eterna menina, sonhadora e apaixonada pela vida, que adora paisagens de montanha, viagens, costumes e histórias de amor. Não sou diferente e sou diferente da Clara ou da Alícia, minhas duas protagonistas. Sou um pouco de cada uma delas naquilo que as difere de mim e sou muito de cada uma delas naquilo que temos em comum.

A Clara é a protagonista de Equinócio - a Primavera, romance sobrenatural publicado pela Dracaena Editora em 2012. Equinócio é o primeiro volume de uma série e conta a
história de uma jovem que se apaixona por seu anjo da guarda e as aventuras e desventuras dos dois para assumirem o romance proibido e impedir que forças do mal arquitetem um plano de dominação da Terra. Esgotado, o primeiro livro ganhou a segunda edição e, juntamente com o segundo volume, Polaris - O Norte, será publicado ainda neste primeiro semestre de 2013.

Alícia é a protagonista de A Última Nota, romance escrito em coautoria com Felipe Colbert (autor de "Ponto Cego) e conta a história de uma jovem violinista, de ascendência grega, que vê sua vida virar de cabeça para baixo ao conhecer um misterioso rapaz, chamado Sebastian. O livro foi publicado em 2012 pela Editora Novo Século.

O que Equinócio e A Última Nota têm em comum é o traço narrativo romântico e a valorização de valores pessoais, profissionais e da família. A família é um núcleo muito importante em ambas as histórias. Em Equinócio, o sobrenatural é mais marcante por causa do tema "anjos". Em A Última Nota, existe uma aura de mistério do qual o próprio leitor tirará suas conclusões.

Trecho de A Última Nota:
"Havia uma lágrima teimando em cair. Sebastian levantou-se e estendeu a mão. Ele recolheu a lágrima no dedo, sem desfaze-la, levou-a até o canto do seu olho, onde a pousou. Minha lágrima deslizou na sua face, como se ele mesmo a tivesse derramado. O quanto ele podia ver de mim? O quanto ele me enxergava? O quanto ele me amava? - Eu chorarei todas as suas lágrimas. E quero sorrir todos os seus sorrisos. - Ele fez uma pausa, e sua voz se encorporou mais: - Eu não sei quem sou, quem fui ou o que farei... Eu não consigo responder sua pergunta anterior, nem mesmo posso lhe dizer meu verdadeiro nome. Eu só sei que não sou nada sem você. Nada. Com o polegar, enxuguei o rastro que a lágrima deixara em seu rosto. - Eu sei que é você. Você é o meu Sebastian. E isso e suficiente."

Trecho de Equinócio - a Primavera:
"― Ah, Clara... ― ele suspira ― você não quer mesmo entender. Como pode sequer supor que eu seja as duas coisas? ― É como eu vejo você. Como o equinócio, a tenuíssima linha imaginária que separa o dia e a noite em partes iguais. O dia e a noite convivem, mas nunca se encontram. Para que um se revele, o outro precisa se esconder. O instante em que isso acontece e os astros se cruzam é aquele em que você decide ser quem é. ― Como pode divagar numa hora dessas? ― Você não deve se esconder de mim e de si mesmo por mim. Somos todos parte do equilíbrio, Nate. Todos temos um equinócio dentro de nós. Há uma proporção entre o que somos e o que pensamos ser. Eu sei o que você é para mim e sei que é o mesmo que você pensa que não é. Ele continua planando sobre mim. Estamos perto o suficiente para eu estender meu braço e fazer de conta que o posso tocar e sentir como o homem que eu preciso que ele seja. ― Preciso que você assuma. E preciso mais do que um protetor com as asas sempre prontas a se estenderem sobre
mim. Nunca estive tão segura e ao mesmo tempo nunca me senti tão insegura. Para que eu alcance o inatingível e possa provar aos meus sentidos que amar o sobrenatural é natural, Nate precisa amanhecer um lado para que o outro anoiteça. Eu preciso ver o homem que se eclipsa na sombra do anjo."

Redes Sociais da autora

Twitter: @LuPiras80 

Até a próxima pessoal!

2 comentários:

Gleize Costa disse...

Joice, eu simplesmente adorei a entrevista. É muito bom poder conhecer melhor a Lu e saber como funciona a Turnê Literária.

Uma das coisas que mais me chamou atenção, foi o que ela disse nesse trecho: "Mas quando o escritor sonhador decide tornar-se escritor pra valer, precisa fazer disso uma carreira, acreditar e investir nela seu tempo, seu dinheiro, e incluí-la em seus planos a médio e longo prazo..."

Beijos...

http://gleizecosta.blogspot.com.br

Lu Piras disse...

Adoreeeeei nossa conversa, Joice!

A ideia de reunir a Turnê Literária nessa série de entrevistas é maravilhosa.

Muito obrigada pelo seu convite e pela divulgação do nosso trabalho.

Super beijo!

Lu

 renata massa