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Capítulo 11 - Feira, discussão e um café bom. (Caio)
Caio andou muito procurando emprego e
a verdade é que não estava nada fácil. Ele entendia de plantas e
de música. Já pensara certa vez em ser botânico, mas não, era a
música seu maior prazer. ⁃ Ele ligou para a mãe aquela tarde
depois de discutir com a babá de Carol. Fazia bem falar um pouco com
D. Lurdes. ⁃ E aí mãe, como andam as coisas? E o velho como
tá? ⁃ Do mesmo jeito, um pouco ansioso e não me dizendo o
motivo. Acho que quer saber de você se já arranjou emprego e essas
coisas. ⁃ Ahhh sei. Diz que estou bem, a cidade é ótima, as
pessoas me receberam muito bem e logo logo vou estar empregado. ⁃
Caio... você não arrumou emprego. ⁃ Me dá mais uns dias. Não
vão resistir ao belo charme desse loirinho por muito tempo. ⁃
Caio você já passou dessa fase, não é? ⁃ Jesus está
tomando conta direitinho. Não vou lhe arrumar neto nem tão cedo.
Como estão minhas meninas? ⁃ Lindas, aprontando. ⁃ Gosto
assim, criança que apronta é saudável. Vou lá que inter-urbano,
custa caro pra quem é pobre, vou comprar aquele chip da operadora
que fala de graça pra te ligar com mais tempo da próxima vez. ⁃
Tudo bem. Se cuida filho. ⁃ Claro, sempre! Cuida dele, tá? -
falou mais baixo, não mandaria um abraço para o seu pai, não
tinham intimidade pra isso, mas sabia que ele não se cuidava
sozinho, era dependente de Lurdes mesmo sem admitir e só aceitava
quando não cabia mais em forças. Era um homem geralmente forte e
disposto, mas com uma já fraca saúde. ⁃ Tá. Pode deixar. -
disse ela com um suspiro de pesar, por não saber como ligar esses
dois pólos distantes que de uma forma nada convencional se
amavam.Caio desligou o telefone e foi pra cozinha preparar seu
jantar, era bom nisso. Só sentia falta de ir ao quintal catar com as
mãos o próprio alimento, a verdade é que não gostava muito de
cozinhar pra si mesmo. Então, a noite resolveu sair. Desceu até o
bar da esquina pra bater um papo com seu velho amigo Pedro e ele lhe
falara sobre uma lanchonete onde um rapaz novinho como ele costumava
fazer sucesso tocando violão. ⁃ Será que tem vaga pra um
pianista? ⁃ Você toca? ⁃ Sim e dou aulas também, mas só
mesmo com uma audição conseguiria alguma coisa, não tenho um
diploma nem nada do tipo, sou umm pianista vindo de lugar nenhum sem
nenhum nome importante e que gosta de cozinhar e plantar. Aceita
currículo? Não, claro que não. ⁃ Você deve ter um talento
nato pra outra coisa que ainda não descobriu. Deixe me ver? Gosta de
conversar e tem empatia natural, poderia ser um excelente vendedor?
⁃ Trabalhar em comércio? - fez uma careta bebericando um café.
⁃ É quem sabe numa loja de instrumentos musicais? ⁃
Hummm, pode ser interessante. Me dá logo o endereço dessa
lanchonete. Vai que o cara é bom e conhece alguém pra me indicar?
Caio chegou lá com seu moletom verde de capuz e jeans, pediu um
sanduíche bem reforçado com açaí e ficou ouvindo o rapaz terminar
a canção se distraiu vendo a bela morena conversar com uma loira e
não viu pra onde ele tinha ido no intervalo, a música era boa, mas
era meio melancólica. Perguntou ao atendente pra onde ele tinha ido
e indicaram um anexo atrás do outro balcão dava pra lateral do
palco. Foi quando Caio avistou a babá de Carol e puxou o capuz para
a cabeça. Não estava a fim de um embate com ela agora e ficou a um
certa distância e deu pra ouvir eles conversando, de alguma forma
ele achou graça da forma desastrada de Dora de tentar puxar papo.
Rodrigo voltou pro palco e ele anotou num papel um recado e ia
deixar pro atendente entregar, quando ouviu que a música e o clima
deram uma animada, resolveu dar mais um tempo. Caio gostava de música
popular brasileira, bossa nova, samba de raiz e chorinho. Quando
Rodrigo terminou ele se aproximou: ⁃ Belo show, cara! Toca muito
bem. Rodrigo, né? ⁃ Obrigado. Sim. Você é? ⁃ Caio Cruz.
Sou pianista e sou novo na cidade. Vim do interior de Ramos e o velho
Pedro do bar da esquina me indicou esse lugar, me falou de você.
Quem sabe conhece alguém que queira aulas ou aceite dar a chance pra
um moleque que fala demais! ⁃ Ei, você sabe tocar violão
também Caio? - falou Rodrigo rindo. ⁃ Sim, foi minha base antes
de aprender piano. Porque? ⁃ Podia fazer algum som comigo aqui
qualquer dia desses. ⁃ É, seria gostoso, mas isso está mais
pra um hobbie e eu estou morando sozinho e precisando pagar as
contas. Sem querer ser muito seletivo. To precisando de emprego
amigo. ⁃ Te entendo! Onde você está morando? ⁃
Coincidentemente no mesmo condomínio que você. O vi por lá algumas
vezes. Só que moro no prédio anexo. ⁃ Perfeito cara! Estava
mesmo precisando de um amigo pra conversar. Bom você não tem
experiência, mas posso pensar em te recomendar pra loja onde comprei
meu violão ou você poderia ser auxiliar de um luthier que está
super precisando de ajuda. ⁃ Vamos fazer o seguinte: vemos os
dois! E quem me quiser to dentro. Caio estava animado seria uma
oportunidade de começar do zero, embora música fosse sua paixão,
ele estaria sempre por perto. Adormeceu tranquilo e feliz. Marcara
com Rodrigo pra ir depois do expediente conhecer o luthier e teria
que agendar um melhor dia pra ir na loja. Aproveitou a tarde livre
para sair pra fazer compras e abriu a porta no exato momento em a
campainha tocou. Ele não esperava vê-la com aquela cara
assustada.
⁃ Dora? ⁃ Como é que sabe o meu nome? -
perguntou ela ainda mais intrigada ele terminou de puxar a porta
observando Carol ao seu lado. ⁃ Carol! - exclamou ele como que a
menina fosse a resposta de sua interrogação. Ele sabia o nome dela
porque a ouvira se apresentar a Rodrigo na noite passada. — O que
fazem aqui? ⁃ Ela esqueceu a chave e eu disse a ela que
podíamos ficar com você. - falou a menina já entrando no
apartamento. ⁃ Disse, é? - falou ele acompanhando a pequena
intrusa com os olhos que já tinha se ocupado do sofá. Ele tentou
recobrar seus modos. — Claro, Dora, vocês podem entrar!
Dora
reparara nos cachos do cabelo dele ele tinha um ar infantil, daquelas
crianças que acordam no sábado e correm pra frente da tv com uma
tijela de cerais pra assistir PicaPau. Ele assim até parecia um cara
de quem ela gostaria de cuidar, mas o que ele fazia em casa essa
hora? Não tinha trabalho, não? ⁃ Nós vamos dar um jeito, não
queremos te atrapalhar. Como se chama mesmo? - perguntou ela querendo
sair dali o mais rápido possível. ⁃ Caio e aproveitando a
deixa eu tenho que fazer compras e estava saindo agora. E então
Carol, quer me ajudar com isso? Não tenho nenhum danone pra oferecer
pra você e sua tia. ⁃ Tia! - se irritou Dora. ⁃ Como você
a chama, Carol? - perguntou ele ignorando o piti de Dora. ⁃
Dora! É esse o meu nome você sabe pronunciá-lo muito bem! ⁃
Ok! Não briguem vocês dois. Dora, Caio, Carol! Ehhhhh, vamos fazer
compras. - disse a menina abrindo a porta e ignorando o olhar de
duelo dos dois. — Vamos gente! ⁃ Vai indo segurar o elevador
Carol. - falou Dora e Carol foi. - Escuta aqui... - disse ela
virando-se pra ele com o dedo em riste. ⁃ Escuta você, foi pega
na segunda infração, narizinho e eu sou seu salvador de novo. Só
que eu estou com fome e minha geladeira vazia, vamos distrair a
menina e nos dar bem até você poder devolvê-la aos pais, ok? ⁃
Do que você me chamou dessa vez? - ela falou crispando os longos
cílios naturais. ⁃ Ouviu o que eu disse depois? - falou ele em
tom irônico-cínico a encarando. ⁃ Sim. - respondeu entre
dentes. ⁃ Podemos começar com a parte de nos darmos bem agora?
- pediu ele numa voz sedutora. ⁃ Sai da minha frente! - ela o
empurrou e saiu ao encontro de Carol deixando-o rindo de sua
impaciência. Ele gostava de ser implicante pelo menos com ela,
não conseguia evitar. Passou a mão no celular e ligou para Rodrigo
teria que remarcar a reunião com o luthier. Encontraram uma feira ao
ar livre próximo ao mercado do bairro. Dora já conhecia a feira,
mas nunca vira alguém tão animado por estar nela quanto vira Caio.
Ele saia distribuindo sorrisos e gracejos pra todo mundo que
ofereciam pedaços de fruta como degustação e ele dividia com Carol
que também se divertia muito por estar ali com ele. Ele a carregava
nos ombros e a balançava vez por outra, ele sabia lidar com
crianças. Dora mantinha certa distância e só observava as cenas.
Distraiu-se comprando umas verduras que precisava e de repente o
sentiu perto. ⁃ Amigo, tem manjericão fresco? - Claro! -
Me vê uma 50 gramas. - Você gosta muito de tempero, hein? -
falou Dora observando sua sacola repleta de uma variedade incrível. -
Fecha os olhos. - disse ele com olhar travesso. - Pra que? Estou
bem com eles abertos. - reclamou ela. - Confia em mim. Fecha. -
ela fechou relutante. Ele pegou o manjericão fresco e esmagou nas
mãos, juntou a outros temperos. - Sente esse cheiro? Imagina uns
tomates frescos num molho cobrindo uma suculenta, macia e elástica
pizza de mossarela com calabresa levemente picante. Ela sorriu
lentamente, ele percebeu e gostou. - Está com fome agora? -
Caio… - suspirou fundo abrindo os olhos, escondendo o sorriso e
sentindo o estômago roncar. - Você realmente não presta. - Eu
sei! Vamos, terminei! Carol, conseguiu o sorvete? - Consegui! -
Ela não vai querer comer depois. Fica dando sorvete pra ela na hora
do almoço! - Quer sorvete também Dora? Eu compro um pra você. -
falou Carol com ar de travessa piscando pra Caio. - Não! Vamos
embora sua mãe já deve ter chegado. - ela queria muito escapar da
perturbação. - Tá cedo ainda. Vamos eu cozinho pra vocês. -
falou ele pegando a menina pela mão. Dora o acompanhou até em
casa, e ele foi direto pra cozinha ela o ajudou a guardar enquanto
Carol se intertia com algum joguinho no celular. Ele fez macarrão
com um molho incrível e ralou o queijo por cima que derretia todo,
ainda enfeitou com manjericão fresco e fez uma carne de panela
deliciosa ao molho de laranja. Carol amou comeu duas vezes, ela ria
do apetite voraz da menina, mas estava realmente deliciosa a comida
de Caio. Dora não queria admitir mais aquele macarrão ao dente era
de se comer rezando. Carol, acabou por adormecer no sofá, Caio
gentilmente a cobriu tirando os sapatos da menina pra ela ficar mais
confortável. - Tudo bem, fala logo. Onde aprendeu a cozinhar
desse jeito? Ele observou Carol adormecida no sofá e recostou-se
no balcão da cozinha e ficou detidamente olhando Dora, ela baixara a
guarda, isso era bom, ele evitaria o confronto e as gracinhas, cruzou
os braços sobre o peito e jogou o pano de prato sobre os ombros. -
Assistindo meu avô e depois inventando minhas próprias receitas.
Gostava muito do cheiro e isso costumava me tirar das brincadeiras.
Ele me contava histórias sobre cada alimento e curioso do jeito que
era caçava no meio das plantas algo que fosse comestível. Fui parar
no hospital uma vez por conta disso. Ele era um excelente contador de
histórias e um cozinheiro de mão cheia, aprendeu na marinha. -
Hummm, além de cozinhar o que mais você faz da vida? - Este é
meu problema ainda não faço. Era pianista lá em Ramos, tocava na
igreja que meu pai dirigia, sou filho de pastor. - Jura? - Sim,
conheci um cara que vai me arranjar um trabalho. Quer um café? -
Adoraria, mas como você cozinhou eu prefiro fazer. É só me indicar
onde as coisas estão, pode ser? Continua a sua história vai
trabalhar onde? - Então, segunda prateleira a esquerda. Ele toca
numa lanchonete aqui perto, Rodrigo e mora aqui no anexo, um cara
bacana. - Hum…é… que bom pra você! Forte ou fraco? -
dissimulou ela. - Forte. - falou ele atento aos movimentos dela.
- Eu também gosto do meu café forte. E pra que emprego ele te
indicou? - Uma loja de instrumentos e um luthier. - ao ver a cara
confusa dela explicou. - É um artesão de instrumentos, ele faz os
instrumentos sob medida, reforma e também incorpora arte exclusiva
caso o cliente deseje algo com a "sua cara". - E você
sabe fazer isso? - Não, mas creio que posso aprender. - disse ele
dando a volta por ela e pegando duas xícaras. - Experimenta isso.
Gosta de cravo? - ele pegou uns dois e uma colher e o pote de mel. -
Não muito. - disse ela estranhando o que ele fazia e levemente
incomodada com a proximidade na cozinha pequena. - Eu também não,
mas gosto do aroma. Coloque uma colher de mel e um cravo no café e
deixe o mel dissolver no líquido quente, quando acabar é só tirar
o cravo. - falou ele enquanto realizava o passo a passo. - Agora
experimenta. Ela provou e novamente uma experiência sensorial
única. - Esta aí algo que você devia fazer: Café! Isso está
perfeito! Ou trabalhar em restaurante, seu avô te ensinou muito
bem. - Que bom que gostou. Estava mesmo te devendo desculpas por
ter sido grosso com você na primeira vez que nos vimos. Entendo que
estava preocupada com ela, mas sendo tio de duas meninas eu só
pensei nelas quando a vi sozinha te esperando. - Desculpas
aceitas! - falou ela abrindo um sorriso pra ele. Ele gostou de ter
provocado isso. - Muito bem, narizinho agora que somos amigos... -
Ok, vai devagar com a intimidade que não lhe dei tooooda essa
confiança não. Dora, meu nome é Dora! - o celular dela toca e pelo
nome na tela não era coisa boa.
Um comentário:
Perdi o inicio da história, deixa eu me atualizar! Vou começar do primeiro.
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